A aranha tece

Além de Olinda ainda se encontra quem rendas tece/ Se alguém pergunta o porque de se fazer/ responde-se o porque de perguntar” – Além de Olinda, de José Eduardo Gramani.
Nessa canção, o Gramani colocou uma máxima universal sobre os diversos valores humanos. Por que continuar com eles? Ora, e porque continuar também com a ignorância, com a mediocridade e com a hipocrisia? As boas e as más qualidades humanas continuam a despeito de serem boas ou ruins. Então porque perguntar o porque, simplesmente deixemo-las continuarem em paz. Meu amigo Edson Hiroshi disse uma vez um ditado budista que carrego sempre comigo: “o simples é o certo, e o certo é simples”. Fazer rendas não é uma coisa simples, mas a inclinação e a vontade que leva uma rendeira a fazê-las é extremamente simples, quer-se fazer e pronto.
Lembrei-me do professor Hermógenes. Entre tantas outras coisas geniais que ele diz, com seu bom humor ligeiramente irônico ele disse que a sociedade está doente de compliquite complicosa. Deus me livre de ser normal, pessoas normais são normóticos! Grande professor! Descobriu o ioga, curou-se com ele e proliferou sua cura pra milhares de outras pessoas. Simples assim.
Tem uma música muito linda de João do Vale e Luís Vieira que diz assim: “a aranha tece puxando o fio da teia/ a ciência da abeia/ da aranha e a minha muita gente desconhece”. A mesma inclinação que leva uma aranha a tecer talvez seja a das rendeiras, dos foliões de Santos Reis, dos violeiros. Taoísmo. É isso. Há um fluxo ininterrupto de coisas que precisam acontecer e se valem dos seres para se manifestar. A única recomendação para seguir esse fluxo pode ser inspirada pelo I Ching: “Perseverar firmemente na direção do Bem”. Como reconhecer o bem? Pra qualquer questionamento da vida, o bem é sempre o primeiro que salta facilmente ao alcance de qualquer compreensão. Se não damos ouvido a ele, entramos no terreno da compliquite complicosa. E haja burocracia pra justificar maus atos. O certo é mais simples.

1 thought on “A aranha tece

  1. Pedro Paulo says:

    Zé, gosto muito de ler suas crônicas. Parabéns, e obrigado. Abraço!

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