Brasil, país dos filhos da puta

 

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Todo mundo um dia acaba sendo tratado como filho da puta. Com o brasileiro isso acontece frequentemente várias vezes na vida. Comigo já aconteceram tantas que eu já não tenho crise com isso, já vesti a carapuça de filho da puta. A última foi hoje.

Estava fazendo a transferência do meu carro, financiado pelo filho da puta do Banco do Brasil, para Pouso Alegre, onde vivo atualmente. Não vou atormentar meus pobres leitores com a odisséia toda (todo filho da puta de processo burocrático nesse país é um parto!). E como o único dia que eu tenho pra tentar resolver isso é às quintas feiras, passei várias quintas feiras me arrastando ora ao despachante, ora ligando pro banco. Isso foi bem mais de um mês, sem poder viajar com o filho da puta do meu carro. Até que ontem de manhã, meus brios de filho da puta que sou chegaram a seu limite (toda filhadaputagem tem limite), e eu acabei explodindo justamente com a D. Ione, do Despachante Central em Pouso Alegre, pessoa que me atendia com cortesia e profissionalismo durante todo esse processo (quem me conhece ao mínimo sabe o quanto me custa chegar às vias de fato). Claro que não fiz nenhuma ofensa pessoal, minha mãe me ensinou bem essa parte, mas cobrei duramente para que o processo andasse. Pois bem, tudo estava emperrado no (fdp) Banco do Brasil, que não transferia o filho da puta do financiamento para Minas Gerais. A parte boa da história é que depois do esporro a coisa milagrosamente andou, e consegui acertar a situação do meu carro. Mas no final o seu Rubens, que também de maneira muito cortês e profissional veio defender o seu lado, me deu uma explicação convincente: o banco procura de toda maneira retardar essa transferência de financiamento, se possível evitá-la, pois pode ser que o requerente esteja tentando um golpe, transferindo a dívida para, sei lá, um endereço falso, e em seguida dar um calote. Aí entendi tudo, eu estava sendo taxado de filho da puta.

Como as filhas das putas das leis desse país não são aplicadas, e ninguém tem garantia de nada, todo mundo tem que tratar seu semelhante partindo primeiro do pressuposto de que está lidando com um filho da puta. Se o filho da puta em questão praticar alguma filhadaputagem, danou-se, e Estado não vai te defender, a polícia não vai te defender, o vigário da paróquia não vai te defender. A sua garantia é só tratar seu cliente, freguês, ou seja lá o que for como filho da puta, e tomar as precauções necessárias para tal.

Quando estive nos Estados Unidos, a primeira coisa que fiz foi alugar um carro. Cheguei cheio de receio à agência, com meu inglês precário e a insegurança de estar fora do país pela primeira vez. Entrei numa fila que, apesar de grande, andava rápido, e fui conferindo meus documentos, imaginando o que iam pedir. Quando chegou minha vez no guichê, expliquei o que eu queria, o atendente me mostrou um orçamento e perguntou como ia pagar. “Credit card”, respondi. Ele pegou meu passaporte, cartão de crédito, e em menos de cinco minutos punha uma chave em minha mão anunciando “box 36”. “Just catch and drive?” respondi atônito. “Yes”, ele me disse, estranhando o tom da pergunta. E eu estranhei mais ainda o fato de, pela primeira vez na vida, não ser tratado como filho da puta.

Pensei que iam me pedir mil informações, examinar minha vida toda, referências, consultar o cartão, pegar minhas digitais, etc, etc, etc. Nada. Just catch and drive. Nesse momento entendi o que significa ser primeiro mundo. É ser tratado com dignidade. Claro que filho da puta não tem vez, vai fazer uma cagada lá e certamente você se dá mal. A lei te pega, ela funciona. Mas o comerciante (e outros setores também) têm a segurança de confiar no cliente, porque se ele for filho da puta, vai se dar mal.

Brasileiro se sabota nesse sentido. Praticamos tanta filhadaputagem, que estamos imersos nisso sem perceber. Acaba sendo normal uma simples transferência de veículo ficar emperrada um mês nessa filha da puta de burocracia. Tudo porque você é um filho da puta, se não fosse, poderíamos facilitar tudo. Mas não, filho da puta tem que ser tratado como filho da puta.

Ufa,  que consegui terminar esse post sem ofender nenhuma puta. Elas estão em situação mais digna do que os filhos. Pobres de nós.

3 thoughts on “Brasil, país dos filhos da puta

  1. A.L.DAGOSTIN says:

    Primorosa sua descrição. Filhos da puta são os políticos deste país. E todo os que sacaneiam o povo brasileiro.

    Responder

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