Giordano Bruno

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Ontem a lua estava linda. Saímos eu Mariana e o Francisco para curtir o visual e fotografar. Por sorte, Pouso Alegre ainda é uma cidade que tem estradinhas de terra longe da luz da cidade onde dá pra ir (por enquanto, não sei por quanto tempo ainda) sem medo. Meu amigo Pereira da Viola tem um termo dele quando quer se referir a alguma coisa grandiosa, ele diz que é uma coisa astronômica. É bem humorado esse termo dele. Coisas astronômicas são boas pra lembrar que nós não somos bosta nenhuma frente à grandiosidade do universo. Aliás, tudo é uma questão de escala de tempo e espaço. Em uma reles coçadinha na bunda podemos estar destruindo átomos que são pequenos mundos muito semelhantes a sistemas solares. E sabemos hoje que sistemas solares inteiros podem ser engolidos de uma só vez por buracos negros. Quantos mundos são devorados dessa maneira. Um dia vai chegar a nossa vez, é só questão de tempo (tempo astronômico, não tempo humano). Mas catástrofes estelares acontecem a todo o tempo, e as provas disso estão ao alcance de nossos olhos. Nessa foto da lua, por exemplo (feita por mim com um equipamento super básico) se nota uma cratera bem mais proeminente que as outras, se assemelha a aquele ponto de uma fruta onde o caule esteve preso, na porção superior direita. A partir dela se vêem alguns raios, o que segundo os cientistas, é uma evidência de uma cratera jovem, consequência de um impacto acontecido há menos de mil anos. Essa jovem cratera foi batizada de Giordano Bruno, um monge que morreu queimado pela Santa Inquisição em 1600 pelas suas idéias altamente avançadas para a época. Ele ouviu sua condenação dizendo que seus algozes temiam mais em dar aquele veredicto do que ele em recebê-lo. A força da verdade é uma coisa extraordinária.

Acontece que existe um relato feito por outro monge, Gervase de Canterbury, no ano de 1178, que é uma coisa absolutamente extraordinária e intrigante. Várias testemunhas oculares da época presenciaram um fato bizarro: Num fim de tarde, quando a lua começava a aparecer, eles viram, exatamente onde a cratera Giordano Bruno está hoje, uma proeminência como uma bolha luminosa, seguida de uma explosão que cuspiu fogo a uma longa distância. Em seguida, a superfície da lua ficou enegrecida, como que coberta por fumaça. Gervase de Canterbury colheu vários depoimentos e deixou seu relato escrito. Ele era uma mente iluminada da época que interpretou esses sinais como um fenômeno astronômico, e não sob a ótica supersticiosa da mentalidade medieval (imagine como isso deve ter sido creditado ao diabo e ao fim do mundo! Infelizmente não é muito diferente do que acontece hoje). Graças a ele, temos provavelmente a descrição de quando se testemunhou a formação de uma cratera da lua, tão grande que pode ser vista a olho nu, a 380000 Km daqui!

É uma boa lembrança do que aconteceu aos dinossauros e do que pode acontecer com nós, habitantes do charmoso planeta azul. E ao mesmo tempo uma magnífica visão em noite de lua cheia, como ontem.

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