2014_04_19_14_52_33_438_SweetNão existe nada mais tocante e bonito que a sinceridade de uma criança. Quando eu era uma, eu olhava pros adultos e pensava que evoluiria para a condição deles, que era um estado mais avançado que o meu. Hoje, do alto dos meus 41 anos, vejo que é justamente o contrário. Nascemos em estado de perfeição, em sintonia com a natureza, depois vamos ficando mais burros e ignorantes a medida que o tempo passa. Pra quem já foi pai (como eu que já fui duas vezes), é maravilhosa a oportunidade de acompanhar essa evolução ao contrário de um ser humano desde seu nascimento. Inspirador, não?

Pra mim é muito inspirador, tanto que fiz uma música pra Helena, minha primeira filha (do meu disco A Montanha), e agora fiz uma pro Francisco, que vai sair no meu disco Assopra o Borralho, que está quase pronto. As duas renderam histórias deliciosas.

Quando o disco A Montanha ficou pronto (e terminar um disco é quase tão especial quanto ter um filho), eu peguei a Heleninha no colo, todo emocionado, e a levei para ouvir sua música. Ela tinha pouco mais de dois anos, e eu falei pra ela assim: “Filhinha, o papai fez uma música pra você, você quer ouvir?” “Quero”, ela respondeu com um sorrisinho lindo. Eu a pus no colo, coloquei o disco no computador e enquanto esperava a execução a Heleninha começou a bater umas palminhas ritmadas pra esperar a música. Começou então aquela introdução lenta, e eu acompanhando radiante as expressões faciais da minha filha. Suas palminhas foram esmorecendo, já que não era uma música pra se acompanhar com palminhas, e ela foi ficando mais séria, parecia estar prestando atenção na letra. De repente olhou pra mim e disparou: “Papai, essa música é muito chata!”

Semana passada, vivi a mesma experiência com o Francisco, que já completou 3 anos. Trouxe a música dele e falei: “Filho, quer ouvir a música que o papai fez pra você?” “Sim”. Vamos lá.

Ele não bateu palminhas. Ouviu compenetrado do começo ao fim, eventualmente dando um sorrisinho lindo, parecia estar compreendendo e apreciando muito. Meu coração até disparou de emoção. Ao soar a última nota da música ele me encarou sorrindo e disse: “agora põe Patati Patatá?”.

Amo muito vocês, meus filhinhos preciosos! Que bom que vocês me ensinam a não ser um adulto tão idiota.

Categories: Sem categoria

One Response so far.

  1. Sirlene disse:

    Cheguei a este blog através de Giordano Bruno, ao pesquisar sobre apareceu sua transcriçao da lua…fico emocionada de perceber que existem pessoas próximas a minha localidade que apreciam a INFINITUDE DA VIDA, A LUZ INTERIOR que såo expressas no brilho do olhar de um criança…

Leave a Reply