Não hleoes_em_madeira_aleijadinhoá nada que eu faça como músico que me realize mais do que compor. Acho que estou exercitando nesse processo (de compor), aquilo que O Criador exercita constantemente em seu sonho cósmico que se reflete no mundo que vemos ao nosso redor. Assim como toda matéria visível são frequências vibratórias diferentes emanadas do mesmo OM, ou som fundamental, assim também nós músicos fazemos dessa aquarela harmônica dos sons combinações a nosso bel prazer que se revelam em formas novas. As janelas dos olhos são nosso meio físico de trocar experiências com o mundo, assim como os outros sentidos. E um sentido maior, mais sutil, faz a gente ruminar essas experiências até sobrar o mais puro destilado de toda essa enxurrada de impressões que o mundo pode causar, e surge algo novo. Compor é brincar de ser Deus.

Estou nesse momento compondo meu quarto disco solo, que tem como leitmotiv o título desse post: Os Leões de Aleijadinho. Existe uma história (dessas que pra mim não precisam ser comprovadas, pois seu valor enquanto mito supera qualquer outro) de que o famoso escultor do barroco mineiro Antônio Francisco Lisboa, vulgo Aleijadinho, teve como encomenda umas esculturas de leões. Mas diz a lenda que Aleijadinho jamais vira um leão em toda sua vida, nem em gravuras de livros, e teve que compor sua escultura totalmente tirada de sua imaginação. Ou seja, é uma reinvenção total do leão original. Fiquei viajando nessa história, chegando à conclusão de que os leões de Aleijadinho são criaturas totalmente extintas, pois ele faz parte de um tempo que é inconcebível comparado com o atual, com sua enorme velocidade de transmissão de informações. Existe algum lugar do mundo onde alguém ainda precisa imaginar algo que nunca viu? Que não dá pra procurar no google? Onde está esse cantinho da nossa imaginação não estimulado por essa enorme enxurrada de informações que chega pra gente todos os dias?

Em busca desse cantinho perdido estamos eu e Guilerme Cordeiro fazendo versões de estórias bastante clássicas, mas vista pelo olhar dessa mente imaginativa em estado puro (ou o mais puro que nossa pureza mental nos permite). Com esse olhar fizemos a releitura de lendas do folclore mundial, sem nenhum compromisso com seu contexto clássico. Vai ficar um trabalho no mínimo surpreendente. Aos poucos, quando os arranjos estiverem chegando lá, ficando como leões com cara de macaco, vamos publicando aqui pra vocês conhecerem. E ao contrário do trabalho solitário de Aleijadinho em imaginar esse bicho, esperamos poder contar com o feedback de vocês.

 

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One Response so far.

  1. Alexandre Rocha disse:

    Zé!
    Conheço essa história do Aleijadinho nunca ter visto um leão quando fez o profeta Daniel, rs!
    É mesmo um bicho esquisito esse que resultou da imaginação dele.
    Curti muito saber do seu projeto.
    Vc escreve muitíssimo bem e com sentimento.
    Grande abraço desde o outro lado do Atlântico!
    Alexandre

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