5bHoje tive uma grata surpresa: estava visitando minha mãe, que ainda vive na minha cidade natal, Cachoeira de Minas. Saí pra dar uma voltinha ali por perto quando ouvi algo muito familiar. Perto dali, um som de uma banda de música executando o hino da cidade. Era no estádio da Leca (esse estádio é, na verdade, um campo de futebol cercado de muros com uma arquibancada), e o som da banda é meu velho conhecido, a Sociedade Musical Eduardo Tenório. Fui até lá pra ver de perto e ouvir essa banda tão querida na qual eu me iniciei na música aos dez anos de idade. Nessa foto que ilustra esse texto, tirada em Itajubá em 1985, foi a minha primeira gig (naquela época chamávamos de retreta) fora de casa sem minha mãe, viajando com meus amigos em um busão. Inesquecível.

E ao chegar perto da banda, já logo reconheci vários personagens do meu tempo de infância, que eu tive a oportunidade de rever. Zé Luís, que foi meu primeiro professor de música (tive oportunidade de dizer isso a ele pessoalmente hoje) e o maestro Carlos Gomes (isso mesmo, temos um maestro Carlos Gomes em Cachoeira de Minas), além de seu filho Antônio Carlos, hoje secretário de cultura da cidade. E vários outros que até hoje se dedicam a manter essa tradição tão presente nas pequenas cidades mineiras. Me lembro de uma ocasião na faculdade, um professor memorável e intelectual respeitadíssimo que tive, José Maria Neves; ele costumava sugerir como tese para estudo a didática dos regentes das bandas mineiras, que punham um garoto pra tocar um instrumento em poucas lições, e assim iniciavam crianças na música às centenas, como foi meu caso.

É sempre uma ocasião muito feliz ouvir essas bandas com seus dobrados. Uma tradição que tem seus altos e baixos, mas que se mantém como todas as coisas verdadeiras.

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